Minha Jornada de vida
Minha história começa antes mesmo do meu nascimento.
Desde o útero, eu já carregava marcas profundas de rejeição e abandono. Cresci em um ambiente emocionalmente contraditório, onde eu via meu pai ferindo minha mãe emocionalmente, enquanto ela me ensinava que eu precisava respeitá-lo. Eu vivia um paradoxo constante: amor e dor coexistindo no mesmo lugar.
Na infância, enfrentei grandes dificuldades de aprendizagem. Fui uma criança tímida, insegura, reprovei duas vezes na escola e não conseguia acompanhar o ritmo dos outros alunos. Durante muitos anos, eu não entendia o que havia de errado comigo.
Somente em 2024 eu descobri que tinha TDAH.
Ou seja, vivi toda a minha vida sem diagnóstico, sem suporte e sem direção. Mas foi justamente essa dificuldade que me obrigou a desenvolver uma das minhas maiores forças: eu aprendi a aprender. Criei meus próprios caminhos, desenvolvi estratégias e transformei a dificuldade na minha maior ferramenta de evolução.
Aos 19 anos, me casei. Construí uma história de 31 anos ao lado do meu esposo, um homem maravilhoso, provedor, protetor e presente. Vivemos uma relação profunda, de parceria e conexão verdadeira.
Mas também enfrentamos desafios.
Havia um ciúme silencioso, não verbalizado, que gerava desgaste emocional. Muitas vezes, eu precisava viver pisando em ovos. Ainda assim, permaneci ao lado dele em todos os momentos, inclusive nos tratamentos com psiquiatra e psicólogo, buscando ajudá-lo.
Logo no início da maternidade, enfrentei um grande impacto: minha filha nasceu prematura e precisou ir para a UTI. Ali, a vida já começava a me ensinar sobre dor, medo e força.
Em 2004, vivi uma das maiores dores da minha vida: a perda da minha mãe.
Quando penso nela… ela foi uma perda que me devastou profundamente.
Essa dor me levou a uma depressão que durou cerca de sete anos. E, na tentativa de voltar a viver, eu busquei ajuda. Procurei psiquiatras, psicólogos, fiz tratamentos… mas, mesmo assim, eu sentia que nada realmente conseguia me ajudar a retomar a minha vida de forma plena.
Parecia que eu estava apenas sobrevivendo.
Entre 2004 e 2016, trabalhei na Secretaria de Educação por 13 anos. Mas, internamente, eu ainda carregava muitos conflitos emocionais não resolvidos.
Em 2015, meu esposo começou a perder o rumo emocionalmente, trazendo mais desafios para o relacionamento.
Então, em 2016, vivi um ponto de ruptura.
Tive uma crise existencial profunda.
E foi a partir dessa crise que eu tomei uma decisão que mudou tudo: eu saí da Secretaria de Educação e passei a me dedicar 100% a buscar respostas.
Comecei a estudar desenvolvimento humano, comportamento, emoções e traumas.
Foi nesse momento que tudo começou.
Eu me apaixonei por esse universo — não apenas pelo conhecimento, mas como caminho de transformação real.
A partir daí, iniciei também os meus atendimentos.
Desde 2018, ajudo mulheres na reconstrução emocional, no resgate da identidade e no despertar da essência feminina. E, desde então, venho aprofundando cada vez mais meus conhecimentos.
Em 2021, enfrentei mais uma grande dor: a perda da minha irmã para a Covid.
Mas, dessa vez, algo era diferente.
Eu já tinha desenvolvido habilidades emocionais — e consegui atravessar o luto com mais consciência, com mais estrutura, com mais presença.
Entre 2020 e 2024, vivi o maior desafio da minha vida: a doença do meu esposo.
Eu parei completamente a minha vida para cuidar dele. Foram anos intensos, com internações, intercorrências e cinco meses vivendo dentro de uma UTI ao lado dele.
Eu lutei por ele de todas as formas possíveis.
Busquei médicos, tratamentos, entrei na justiça, garanti os melhores recursos. No home care, enfrentei situações extremamente difíceis, inclusive assédio por parte de profissionais, e precisei afastá-los.
Mas, mesmo com toda a luta… eu não consegui fazê-lo melhorar.
E o mais difícil: eu não aceitava a morte dele.
Eu pedi muito a Deus uma resposta.
E essa resposta veio.
Através de outra pessoa, chegou até mim o livro “A morte é um dia que vale a pena viver.”
Quando eu li esse livro, algo dentro de mim mudou.
Eu entendi o que são cuidados paliativos. Entendi que, em alguns momentos, amar também é soltar. Que permitir a partida com dignidade é um dos maiores atos de amor.
E, quando eu tomei essa decisão… tudo ganhou um novo significado.
Até que chegou o dia.
O dia mais difícil da minha vida.
Eu entrei no leito 09 da UTI, onde meu esposo estava em estado gravíssimo, tomada por uma dor insuportável. Chorei intensamente, perdi o controle, tive um surto emocional diante de tanto sofrimento.
Mas, em meio àquela dor, algo aconteceu.
Eu vi meus filhos ao lado dele, abraçando, beijando, presentes.
E aquele leito… se transformou.
A dor deu lugar ao amor.
Naquele momento, eu entendi.
A despedida dele se transformou em um momento que, assim como no livro, valeu a pena ser vivido.
Porque ali havia amor, dignidade, presença e uma história sendo honrada até o último instante.
Depois que ele partiu, eu fui ao fundo do poço.
Mas foi lá que eu encontrei uma mola.
E eu voltei.
Dessa vez, eu vivi o luto. Eu senti. Eu atravessei.
E, em cerca de sete meses, eu consegui me reconstruir.
Hoje, ao olhar para toda a minha trajetória, eu entendo:
Nada foi em vão.
A rejeição, os traumas, as perdas, o TDAH não diagnosticado, a dor emocional… tudo se transformou em construção.
Eu me especializei em neurociência aplicada à ansiedade, depressão e traumas emocionais. Apliquei esse conhecimento em mim mesma e vivi uma cura real, profunda, de dentro para fora.
E foi assim que nasceu o Método UNO.
Um método que nasceu da vivência, da dor ressignificada e da prática real — e que hoje transforma a vida de outras mulheres.
Hoje, eu vivo o propósito que Deus me deu:
Ajudar mulheres a saírem da dor, da confusão e dos bloqueios emocionais… e retomarem o controle da própria vida com consciência, força e verdade.
Porque eu sei exatamente como é estar lá no palco de dor.
E eu também sei o caminho de volta.